Saiba se o artigo irá agradar o leitor: Teste de Legibilidade

“Se lemos algo com dificuldade, o autor fracassou.” Jorge Luis Borges

O que você lerá a seguir é a técnica usada nos textos jornalísticos. Ela pode ser de extrema valia para profissionais do texto. Informar não é fácil. Se fazer compreender por quaisquer classes sociais é uma tarefa que requer atenção e trabalho.

A leitura de fácil compreensão é a alma do negócio. Ninguém gosta de sentir dificuldade ao ler. Seja um artigo, livro, revista ou qualquer material que produza no leitor o ato de pensar sobre a informação que está sendo recebida.

Informamos diferente do tempo em que só existiam impressos. Nós temos além dos jornais e revistas, a internet inteira transmitindo informação o tempo todo. A quantidade de informações e a agilidade da transmissão obrigou os profissionais a serem curtos, objetivos, simples e concisos. Quem gosta muito de escrever sabe que as vezes precisa de um freio. Nos empolgamos no ápice da escrita, entre substantivos e verbos.

Mas como saber se meu texto será de fácil compreensão? Como saber o índice de dificuldade daquilo que é escrito?

Essa é uma pergunta que preocupou os Estados Unidos há aproximadamente sessenta anos. Pesquisas sobre a leitura do texto jornalístico acabaram despertando o interesse de professores e alunos de universidades do país. O resultado deste estudo foi o teste de legibilidade. Alberto Dines foi o jornalista responsável pela adaptação para o português.

Teste de Legibilidade

  • 1 - Conte as palavras do parágrafo.
  • 2 - Conte as frases (cada frase termina por ponto).
  • 3 - Divida o número de palavras pelo número de frases. Assim, você terá a média da palavra/frase do texto.
  • 4 -  Some a média da palavra/frase do texto com o número de polissílabos.
  • 5 -  Multiplique o resultado por 0,4 (média de letras da palavra na frase de língua portuguesa).
  • 6 - O produto da multiplicação é o índice de legibilidade.

Possíveis resultados:

  • 1 a 7: história em quadrinhos
  • 8 a 10: excepcional
  • 11 a 15: ótimo
  • 16 a 19: pequena dificuldade
  • 20 a 30: muito difícil
  • 31 a 40: linguagem técnica
  • acima de 41: nebulosidade

Exemplo:

“Em boca fechada não entra mosca”, diz a vovó repressora. “Quem não erra perde a chance de acertar”, responde o neto sabido, Ele aprendeu que, nas organizações modernas, a competição é o primeiro mandamento. E, cada vez mais, impõe-se a necessidade de f alar em público. Muitos servidores, porém, concordam com a vovó. Estremecem só de imaginar a hipótese de abrir a boca diante de uma plateia. Dizem que não nasceram para os refletores. Falta-lhes vocação. A ciência prova o contrário. Falar bem não é dom divino. Falar bem – como nadar bem, escrever bem, saltar bem – é habilidade. Exige treino.

1 - Palavras do parágrafo: 101
2 - Número de frases: 12
3 - Média da palavra-frase (101 dividido por 12): 8,41
4 -  8,41 + 12 (número de polissílabos) = 20,41
5 -  20,41 x 0,4 = 8,16

Resultado: legibilidade excepcional

Conclusão

Avalie seus textos. Sejam eles cartas, artigos, material científico ou reportagem. Faça isso por parágrafos. Facilite a vida do seu leitor, prefira frases pequenas e abuse das proparoxítonas. As únicas palavras necessárias na língua são os substantivos e verbos. Adjetivos e advérbios devem ser evitados.

As técnicas utilizadas nos textos jornalísticos podem ser de grande valia para todos os blogueiros e profissionais do texto. Comecemos pelo teste de legibilidade.

Cometemos erros, eu provavelmente cometi vários neste texto, mas é praticando que se alcança a vitória. =)

Referências:
Squarisi Dad; Salvador Aríete. A arte de escrever bem: um guia para jornalistas e profissionais do texto. Editora Contexto, 2004.
Metsys, Quentyn. Ritratto di Erasmo da Rotterdam, 1517.

Bella Felix

facebooktwitterlinkedin

Cursando Design Gráfico, blogueira, pseudo-escritora, viciada em RPG e animes, desenha e devora livros. Autora dos blogs Pink Skull Design e The Black Element.